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DOSSIÊ: Cinema Nacional

Temos aproximadamente 110 anos de cinema no Brasil. A primeira exibição de cinema em terras tupiniquins foi em Julho de 1896, no Rio de Janeiro, alguns meses depois da invenção dos irmãos Lumiére. Um ano depois já havia uma sala de cinema fixa, também no Rio de Janeiro, o "Salão de Novidades Paris”. 

Em 1897 o cinema nacional de fato nasceu, no dia 1° de maio, em Petrópolis, o empresário italiano Vittorio Di Maio laçou o “Cinematógrafo” nos salões de teatro Cassino- Fluminense, onde foram exibidos 4 filmetes (ou podendo tambem chamar de curta metragem) produzidos no Brasil. Neles apareciam uma artista circence, uma apresentação infantil de um colégio do Andaraí, o terminal de bondes de Botafogo e a chegada de um trem na estação de Petrópolis. Na proxíma década o cinema tem grande propagação no Brasil, em meados de 1908 já havim por volta de 20 salas de cinema no Rio e mais tantas outras em São paulo, que exibiam vários titúlos, filmes europeus,americanos e nacionais. Dentre eles dos genêros: ficção, romance e documentário.

* Primeiros Filmes “Posados” e “Cantados”

Os primeiros filmes posados (ou seja, de ficção) foram em sua maioria produzidos por proprietários de salas de cinema em São Paulo e no Rio, sendo na maioria das vezes algo como um documentário ou uma obra de ficção baseada em histórias reais.

Como exemplo temos “Os Estranguladores” de Francisco Marzullo (1906), que foi considerado, na época, um sucesso de bilheteria. Temos tambem “O Crime da Mala” (Francisco Serrador,1908), “Noivado de Sangue” (Antonnio Leal,1909), e tambem comédias como  “Nhô Anastácio Chegou de Viagem”  (Marc Ferrez, 1908).

Em 1909 surgem os filmes cantados, com os atores dublando-se ao vivo, por trás da tela.
O sucesso desse metodo levou ás filmagens de revistas musicais “Paz e Amor” (1910), trechos de óperas (“O Guarany”,1911).

A partir de 1911, chegam a São Paulo imigrantes italianos que acabarima por dominar o mercado nos proximos 30 anos .

Gilberto Rossi, João Stamato, Arturo Carrari. O ator italiano Vittorio Capellaro associa-se ao cinegrafista Antônio Campos e juntos filmam os longas "Inocência" (1915), a partir do romance de Taunay, e "O Guarani" (1916), baseado em José de Alencar. No Rio, Luiz de Barros, que viria a realizar mais de 60 longas-metragens até os anos 70, também começa por José de Alencar: "A Viuvinha" (1915), "Iracema" (1918) e "Ubirajara" (1919). Mais tarde, uma nova versão de "O Guarani" (1926), de Capellaro, será exceção na década: Um filme brasileiro de sucesso.

Poster do filme "O Guarani"

Também em 1911, empresários norte americanos visitaram o Brasil para sondar o mercado cinematográfico brasileiro, o que resulta no “Cinema Avenida” que foi criado para exibir somente filmes da produtora americana Vitagraph. 
Com a 1° guerra mundial as produtoras européias enfraquecem e os EUA passa a dominar esse mercado.
Francisco Serrador cria a primeira rede nacional de exibição, tendo salas em 5 estados diferentes, deixando assim de produzir e se tornando distribuidor de filme estrangeiros.

Na decada de 1930 surgiram as  primeiras empresas cinematográficas brasleiras, produras de filmes do gênero chanchada.

 * Chanchada?? O que que é isso?

Não é dança folclorica, nem mensão a um prato típico do nordeste. Chanchada é um gênero de filme, um gênero único o qual foi criado aqui, no Brasil. Sendo a maioroa desse genero lançado pela Atlântida Cinematográfica fundada em 1940.

Desprezado pela critica da época, muitas vezes hostilizada por intelectuais, rotuladas de superficiais, afinal as chanchadas eram um cinema de forma simples, com roteiro muita vezes ingênuo, com pouqinssimo orçamento e com cenários inprovisados. Mas as suas tramas era movimentadas e divertidas, as vezes até fazendo paródias de filmes estrangeiros famosos.

Lançaram grandes nomes do cinema e televisão como: Oscarito, Grande Otelo, Dercy Gonçalves. Zé Trindade, Wilson Grey, entre tantos outros.

Filmes desse gênero que devemos citar: “Moleque Tião” (1941) filme que contava a história de Grande Otelo o qual interpretou a sí mesmo no filme; Filmes parodiando sucessos estrangeiros como: “Nem Sansão Nem Dalila” (1954), “Matar ou correr” (1954). Filmes que tinham como tema o carnaval: “Este mundo é um Pandeiro” (1947), “Carnaval no fogo” (1949); E o melodrama “O Ébrio” (1946), que foi de grande bilheteria em todo o país.

As chanchadas e a Atlântida Cinematográfica têm “fim” ainda na década de 50, quando o público parece se estafar do gênero e as suas estrelas são convidadas para trabalhar na televisão.

Ainda nos anos 50 por influência do Neo-realismo italiano, surge no Rio um profundo questionamento às tentativas de transplantar Hollywood para o Brasil. Alex Viany realiza "Agulha no palheiro" (1953) e Nelson Pereira dos Santos filma "Rio, 40 graus" (1955), ambos com baixo orçamento, temática popular e busca de um realismo brasileiro. O filme de Nelson termina proibido pela censura, desencadeando uma campanha de estudantes e intelectuais pela sua liberação.

Em São Paulo, Roberto Santos aplica os mesmos princípios na comédia "O Grande momento" (1958). Como os anteriores, o filme tem problemas de distribuição e não atinge o grande público.

Em Salvador, "Bahia de todos os santos" (1960), de Trigueirinho Neto e "Barravento" (1961), de Glauber Rocha, desencadeiam um novo ciclo regional, que atrai cineastas de outros estados em busca da temática nordestina: entre outros, "O pagador de promessas" (1962), de Anselmo Duarte, premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes, apesar de criticado pelos novos cineastas como um filme "tradicional".


* O cinema novo

O grande salto de desenvolvimento do cinema nacional ocorreu somente na década de 1960. Com o conhecido “Cinema Novo”, vários filmes ganharam destaque nos cenários nacional e internacional. Podemos dizer que o marco inicial desta época de prosperidade cinematográfica nacional foi o lançamento do filme “O Pagador de Promessas” já que foi o primeiro filme nacional a ser premiado com a Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes.

Com o lema “ uma câmara na mão e uma idéia na cabeça”, outros diretos impulsionam o Cinema Novo. Os filmes deste período começam a retratar a vida real, mostrando a pobreza, a miséria e os problemas sociais, dentro de uma perspectiva crítica, contestadora e cultural.

Após o golpe militar de 31 de março de 1964, os cineastas (e o país) se interrogam sobre o futuro e sobre as suas próprias atitudes de classe. Os filmes marcantes desse segundo momento do Cinema Novo são "O Desafio" (1965), de Paulo César Saraceni; "Terra em transe" (1967), de Glauber Rocha; e "O Bravo guerreiro" (1968), de Gustavo Dahl.  Enquanto isso, longe do Cinema novo, Domingos de Oliveira redescobre a comédia carioca com "Todas as mulheres do mundo" (1967) e "Edu coração de ouro" (1968).   Com o AI-5 (13 de dezembro de 1968), a ditadura militar fecha o Congresso e os partidos políticos existentes e censura a mídia e as diversões públicas.

A perseguição às oposições, a restrição da atividade sindical e a prática de tortura nas prisões criam um clima de medo que se reflete em toda a cultura do país. Neste terceiro momento, o Cinema Novo volta-se para o passado, para a História, ou para projeções alegóricas do país real: "O Dragão da maldade contra o santo guerreiro" (1969), de Glauber Rocha; "Os Herdeiros" (1969), de Cacá Diegues; "Macunaíma" (1969), de Joaquim Pedro de Andrade; "Os Deuses e os mortos" (1970), de Ruy Guerra.

 

"Udigrudi" Que raios é isso??

Foi um termo derivado de Undergroud, para definir a atual forma do cinema nacional (Eu chamaria de cinema trash, mas vá lá rs) Uma nova geração de cineastas responde à nova situação política do país com mais radicalidade: a estética do lixo, o Cinema marginal, "udigrudi". Em vez de se espelhar no melhor cinema europeu para fazer filmes que o público não vê, a idéia é desvirtuar a linguagem do pior cinema norte-americano (o policial B, o western barato, o musical vulgar), a que o público está acostumado. Os principais representantes do movimento são Rogério Sganzerla, "O Bandido da luz vermelha" (1968) e Júlio Bressane, "Matou a família e foi ao cinema” (1969). Em 1970, os dois fundam a produtora Belair e realizam, em apenas 3 meses, 6 longas de baixíssimo custo.

 

 

As décadas de 1970 e 1980 representam um período de crise para o cinema nacional. A crítica e os grandes problemas nacionais saem de cena para dar espaço para filmes de consumo fácil, com temáticas simples e de caráter sexual, muitas vezes de mau gosto. É a época da pornochanchada.  Mesmo neste período, alguns cineastas resistem a onda e procuram produzir filmes inteligentes e bem elaborados. Podemos destacar os seguintes filmes neste contexto: Aleluia Gretchen” de Sílvio Back; “Vai trabalhar vagabundo” de Hugo Carvana e “Dona Flor e seus dois maridos” de Bruno Barreto, record de bilheteria (cerca de 11 milhões de espectadores) que ganhou até um remake americano, os filmes infantis e bem humorado de “Os Trapalhões” (Tem alguem com 20 anos ou mais que não lembra deles? Rs)

 http://www.impawards.com/1982/posters/kiss_me_goodbye.jpg

Poster de "Dona Flor" e sua versão americana "Meu Adorável Fantasma"

*Pornochanchada (Sim, era só o que faltava)

Pornochanchada é um gênero do cinema brasileiro comum na década de 1970. Surgiu em São Paulo, nos anos 70, foi uma produção bem numerosa e bem comercial, também conhecida como produção da Boca do lixo, de onde despontaram vários diretores de talento que souberam usar o que dava bilheteria na época (filmes eróticos softcore) para fazer filmes de grande valor estético e formal. Chamado assim por trazer alguns elementos dos filmes do gênero conhecido como chanchada e pela dose alta de erotismo que, em uma época de censura no Brasil, fazia com que fosse comparado ao gênero pornô, embora não houvesse, de fato, cenas de sexo explícito nos filmes. Revelou algumas atrizes que depois ficaram famosas na tv e passaram, de certa forma, a esconder de seus currículos a participação nos filmes do gênero.

Em outubro de 1982, sem dinheiro para pagar o serviço da dívida externa, o Brasil quebra. Falta dinheiro para que o consumidor brasileiro possa ir ao cinema, falta dinheiro para produzir filmes. A produção volta a cair. Os exibidores (donos de cinemas), assessorados pelos distribuidores estrangeiros, começam uma batalha judicial contra a lei da obrigatoriedade, e em muitas salas simplesmente param de passar filmes brasileiros. Metade dos filmes produzidos em 1985 foi de sexo explícito.

 

Apesar de tudo, surge uma nova geração de cineastas em São Paulo, onde se destacam Sérgio Bianchi ("Mato eles?", 1982), Hermano Penna ("Sargento Getúlio", 1983), André Klotzel ("A marvada carne", 1985) e Sérgio Toledo ("Vera", 1987), mas seus filmes são vistos basicamente em festivais.

A década de 1990 (A era Collor, Itamar Franco, e toda aquela coisa que todos nós sabemos) é criada a Secretaria para o desenvolvimento audiovisual, que libera recursos para produção de filmes através do Prêmio Resgate do Cinema Brasileiro e passa a trabalhar na elaboração do que viria ser a Lei do Audiovisual, que entraria em vigor no governo Fernando Henrique Cardoso.

Esta década é marcada pela diversidade de temas e enfoques. O filme passa ser um produto rentável e a "indústria cinematográfica" ganha impulso em busca de grandes bilheterias e altos lucros. Neste sentido, as produções brasileiras procuram atender públicos diversos. Comédias, dramas, política e filmes de caráter policial são produzidos em território nacional. Com políticas de incentivo e empresas patrocinadoras, o Brasil começa a produzir filmes que mobilizam grande número de espectadores.

Nos anos que se seguem o Brasil vem ganhando espaço e reconhecimento, e adquirindo (ou recuperando caso prefiram) respeito.

As obras mais recentes contam com roteiros bem mais elaborados, com orçamentos dignos de Hollywood, atuações primorosas, e como não poderia faltar efeitos especiais.

Mantem muito da temática social e politica de outrora, mas tambem sabe fazer muito bem uma comédia romantica ou um drama.

 * Reconhecimento através das Décadas

Vocês pensam que o Brasil é indicado, mas nunca leva nada?

Não é bem assim, não é de hoje que a qualidade do cinema brasileiro é reconhecida no mundo inteiro: filmes nacionais já foram premiados nos principais festivais internacionais, como aconteceu em Cannes, 1962, com o Pagador de Promessas de Anselmo Duarte; em Veneza, 1981, com Eles Não Usam Black Tie, de Leon Hirszman e em Berlim, 1998, com Central do Brasil, de Walter Salles.

Outros prêmios vêm, ao longo dos anos, reconhecendo o valor estético e técnico do nosso cinema, como, por exemplo, o Prêmio de melhor filme latino-americano dado pelo Festival de Sundance’97 - o principal evento do cinema independente do mundo - ao filme do jovem e talentoso cearense José Araújo, o poético e engajado “O Sertão das Memórias”.

 

Atores e atrizes brasileiros têm sido premiados no exterior: Marcélia Cartaxo, em A Hora da Estrela (melhor atriz em Berlim/86), Ana Beatriz Nogueira, em Vera (melhor atriz em Berlim/87), Fernanda Torres, em Eu Sei Que Vou te Amar (melhor atriz em Cannes/86) e Fernanda Montenegro, em Central do Brasil (melhor atriz em Berlim/98).

E como todos nós temos acompanhado, está cada vez mais freqüente títulos brasileiros na lista dos indicados ao Oscar, como prova O que é isso companheiro (1998), Central do Brasil (1999), Cidade de Deus (2004),que foi indicada a não uma mas sim 4 categorias (pena O Senhor Dos Anéis estar concorrendo na maioria delas, rs)  e muitos outros virão.

http://www.toxicshock.tv/moviereview/cityofgod/cidade_de_deus_city_of_god_poster.jpg http://www.historianet.com.br/imagens/centraldobrasil.jpg


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