|
Direção:
Francis
Lawrence
Elenco: Will Smith, Alicia Braga,
Thomas J. Pilutik, Salli Richardson, Charlie Tahan
Crítico:
Thiago Melo
   

O filme
Eu Sou a Lenda é baseado em um clássico de
ficção científica escrito por
Richard Matheson em 1954. E tem como protagonista uma outra lenda: Will
Smith.
Smith alcançou o sucesso tanto na música quanto
no cinema. Em carreira solo, já
vendeu cerca de 25 milhões de discos,
já foi indicado ao Emmy e ao Oscar. Com toda essa carreira
nas costas, ele tem
a difícil missão de carregar um filme quase que
por inteiro sozinho. E agrada.
Eu Sou a
Lenda começa com uma entrevista em um jornal na qual uma
cientista (Emma
Thompson) diz ter criado uma vacina contra câncer em todos os
humanos. Três
anos depois, o cientista Robert Neville (Smith) entra em cena numa Nova
Iorque
aparentemente deserta, mas cheia de animais silvestres e
aberrações mutantes. O
vírus Krippin havia exterminado a maior parte da
população e transformado o
restante em mutantes sedentos por sangue e intolerantes à
luz solar.
No
primeiro ato o tom dark cai como
uma
luva, percebemos o quão o herói
solitário amarga a perda de tudo, da mulher e
da filha, e sua única conexão ao passado
são
a
“simpática” cadela
Sam. Apesar disso,
Neville tenta manter sua rotina, assiste às
gravações na TV, aluga filmes e até
conversa com manequins, na tentativa,
ironicamente, de preservar sua sanidade. Atrelado a isso
está sua tentativa
heróica e um tanto egocêntrica em descobrir a cura
pro tal vírus, em seu
laboratório há diversas cobaias, a maioria sem
nenhum resultado.
|

As poucas e
valiosas cenas de ação prendem o espectador; a
primeira vez que os “humanos-monstros” aparecem
demonstra a forte direção de Francis
Lawrence e
comprova seu talento ao
optar por planos diretos que garantem agilidade ao invés de
fazer suspensas e
mostrar os mutantes com uma trilha sonora preparada para dar susto. Os
mutantes,
aliás, são um tanto
quando decepcionantes. Criados por
computação gráfica (CGI), eles parecem
tão falsos que até
certos movimentos são até idiotas, visto que
não há um mínimo esforço em
fazê-los aparentar que um dia já foram humanos.
A partir do
meio do segundo ato o filme engata a quinta
marcha, ao cair em uma armadilha implantada por deus-sabe-quem, o filme
atinge
seu clímax, o aguardado encontro entre Neville e os mutantes
ocorre e a tensão
criada pelo diretor impressiona, apesar de deixar algumas falhas que
podem perdurar
grandes discussões naqueles espectadores mais chatos que
querem tudo explicado
tim-tim por tim-tim.
|
Perto do
final há uma reviravolta que compromete o final.
A aparição de Anna (vivida belissimamente por
Alice Braga) e seu filho. Havia
diversas maneiras de explorar a situação de mais
um sobrevivente, afinal era de
se esperar que mais alguém houvesse sobrevivido ao
vírus. O problema ocorre na
justificativa. Anna foi enviada para Neville pura e simplesmente porque
Deus
mandou. Esse é o ponto mais fraco do roteiro, o
próprio Neville durante a
película diz subitamente crer em Deus e em um outro momento
exclama que Ele não
existe. A situação dica pior, chega a tal ponto
que Neville, sozinho há três
anos, quando descobre Anna começa a reclamar de bacons e estoque de comida. Algo
patético. Que somente é
“explicado” pelo final previsível
escolhido.

Apesar das
pequenas, porém visíveis, falhas, Eu
Sou a Lenda, serve para demonstrar duas coisas, primeiro, cumpre com o
papel de
entretenimento, afinal com cerca de duas horas o filme em nenhum
momento te
deixa com vontade de sair do cinema, segundo, confirma Will Smith como
um
grande ator dessa geração, capaz de interpretar
diversos níveis de personagem,
com carisma, seja no drama ou na ação ou
demonstrando carinho por sua fiel
cadela
Gostou da crítica?
Então comente junto com nossos usuários no
Fórum Cinemania. Clique aqui.
|