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Direção:
David Yates
Roteiro:
Steven Kloves
Elenco:
Daniel
Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Michael Gambon, Jim Broadbent,
Tom Felton, Alan Rickman, Maggie Smith, Julie Waters, Helena Bonham
Carter, Timothy Spall, Bonnie Wright, Evanna Lynch.
Crítico:
Thiago Melo

    
A
série “Harry Potter” é considerada ao mesmo tempo a mais
lucrativa e a mais consistente do panorama cinematográfico atual.
Com uma produção sempre primorosa e atenta a
detalhes, tornou-se
comum ver sempre um produto bem acabado a cada versão lançada. E
devo dizer que, a produção sempre esteve excelente e em todos os filmes
foi
essencial para dar vida à imaginação da autora J.K. Rowling (uma
ampulheta personalizada, óculos que “enxergam” o invisível,
objetos que retornam aos seus lugares uma vez ordenados, etc). São
detalhes que juntos impressionam o espectador causando-lhes um
atrativo encanto pelo mundo mágico.
Porém,
a situação na Escola de Magia de Hogwarts passa longe de uma
aventura fantasiosa. O clima preparado pelo filme anterior (Harry
Potter e a Ordem da Fênix) é cada vez mais dark e mais gótico.
A
começar pela arrepiante cena inicial que faz um retorno ao final do
filme anterior, mostrando como o mundo bruxo, e ainda o mundo trouxa,
foi afetado pela volta do Lord das Trevas, Voldemort. É
impressionante ver a relação entre esses dois mundo, a inlfuência
que um exerce ao outro. David
Yates já tinha arriscado esse
artifício com sucesso no longa anterior, ao mostrar ainda no primeiro
ato ataques de dementadores (criaturas que sugam a felicidade humana)
a trouxas (não-bruxos).
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Esse
sexto capítulo, trata a partir do final deixado no longa anterior: a
volta de Voldemort, muito mais poderoso. Se antes o rumor parecia
dúvida, agora a certeza faz com que os pais bruxos tenham medo de
mandar seus filhos de volta a Hogwarts (considerado até então um
dos locais mais seguros do mundo mágico). Em meio a essa clima de
tensão, Dumbledore e Harry embarcam em uma missão cuja finalidade é
findar o poderío de Lord Voldemort. Uma missão não muito fácil,
demonstrada perfeitamente por Michael
Gambon na composição de seu
Dumbledore, que esconde aquela expressão de calmaria de Richard
Harris nos dois primeiros filmes e dá lugar à verdadeira
preocupação que os tempo pedem: o destino de todo o mundo mágico
pode depender desta missão. Porém a vida acadêmica de Harry
continua, dessa vez embalada por um novo estímulo: um livro de
poções velho que lhe torna o aluno mais aplicado da disciplina do
professor que “coleciona” alunos, Slughorn, interpretado
brilhantemente por Jim
Broadbent.
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O
roteiro, aliás, passa por algumas modificações. Se em “Harry
Potter e a Câmara Secreta” a transposição ao cinema foi quase
literal, nesta última adaptação o roteirista Steven Kloves (que
se
ausentou em “Ordem da Fênix” por motivos de agenda) toma algumas
liberdades necessárias que podem desapontar alguns fãs da série,
foi comum ouvir na sessão em que eu estava “cadê aquela cena”,
ou “isso não tinha no livro”. Apesar de algumas cenas excluídas
serem, em minha opinião, extremamente necessária para o
desenvolvimento de alguns personagens (e conclusão de outros), vale
destacar que as cenas adicionadas entrarm em harmonia à història, e
serviram ainda mais para dar consistância ao filme, uma ideia de
continuidade entre uma cena e outra. Mas ainda assim, que acompanhou
o livro, e fica na expectativa se decepciona ao ver que certas coisas
foram deixadas de lado.
Aliás
a volta de Kloves,
foi essencial para a construção de alguns
personagens secundários que haviam sido esquecidos nos dois últimos
filmes, a começar por Draco Malfoy, que, se antes era apenas um
menino mimado que vez ou outra brigava com Potter, dessa vez uma
carga dramática lhe é jogas às costas e revelam um grande dilema
em sua tarefa para Voldemort. Como uma espécie de contra-balança.
Kloves
dá espaço para que outros personagens exerçam o equilíbrio
do humor. Assim, a aluada e simpática Luna Lovegood, serve como uma
ferramenta cômica, bem como o apadago Neville Lognbottom e claro
Rony Weasley, que de uma vez por todas se livra do carma de fazer
riso por caretas e se aproxima do seu personagem nos livros com
tiradas sarcásticas. Mas o destaque fica pelo protagonista que, com
a confiança dada pela poção da sorte, o momento “Harry-tudo-posso” é
uma das sequências mais hilárias de toda franquia.

Seria
bastante incompreensível achar que Harry, e os demais estudantes, no
auge da adolescência, devessem simplesmente esquecer os namoros e
paqueras e se dedicarem apenas a salvar o mundo do poder das trevas.
Os corredores de Hogwarts agora são ocupados por “vultos” em um
amasso, beijos e demonstração de amor (e ciúmes) tornam-se comuns,
em destaque para a “novata” Lilá Brown, uma garota que faz de
tudo pra se aproximar de Rony. Então, é comum vermos poções do
amor serem usadas em determinadas circunstâncias, olhares trocados
com sorrisos tímidos e principalmente as decepções amorosas comuns
nessa época, representada pelo amor de Hermione não correspondido
(muito mais
explícito no filme que nos demais livros), o que permite que sua
relação de amizade com Harry torna-se muito mais verdadeira e
necessária.
O
príncipe do título, que deveria ser o grande mistério da vez, fica
um pouco apagado por outros caminhos optados por Kloves. Aliás, até
que se descubra o “enigma” do príncipe, pouca importância foi
dada à sua existência, a não ser por uma cena, e mesmo assim
mostra-se como o elemento de vazio em meio à cena seguinte. Os
grandes feitos do príncipe mestiço, ou são deixados de lados, ou
são reduzidos, como o feitiço sectusempra. Mas isso
não é
motivo para que outras cenas sejam esquecidas, muito pelo contrário,
o clímax da história surpreende pelos efeitos especiais e pelo
suspense que dão inveja a qualquer filme B de terror (chega a ser
impactante a aparição dos Inferuis (cadáveres de humanos
reanimados por um bruxo das trevas).

A
evolução de Yates
em relação ao filme anterior é notável e
satisfatória. Muito mais confortável com a história, o diretor
demonstra que o fato de continuar no cargo de direção até os últimos
filmes, não é razão para comodismos e elementos novos
sempre são bem vindos em uma séria já tão conhecida e adorada
mundialmente. Dessa forma, “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”
mostra-se, como todos andam falando, como o filme mais equilibrado da
série. Apesar de algumas passagens que dariam uma grandiosidade épica
ao filme terem sido cortadas, e essas cenas se mostrarem
essenciais para os dois últimos filme, o longa demonstra mais uma
vez que é capaz de surpreender e meio a tantas coisas recicláveis
em Hollywood. Palmas para o bruxo inglês.
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FRASES
MEMORáVEIS:
(Como
sou fã, e gostei muito do filme, tive a liberdade de escolher mais
do que um quote)
Professora
McGonagall (para o trio): Por que sempre que acontece alguma
coisa vocês três têm que estar envolvidos?
Rony
Weasley:
Acredite, professora, eu tenho me feito essa mesma pergunta por seis
anos.
Alvo
Dumbledore:
“Você
deve estar se perguntando por que eu o trouxe aqui.”
Harry Potter:
“Na
verdade, professor, depois de todos esses anos, eu meio que estou
acostumado.“
Arthur
Weasley:
“Tempos
como esse, tempos sombrios, eles fazem coisas engraçadas com as
pessoas. Eles são capazes de nos separar.“
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