Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince) - 2009

Direção: David Yates
Roteiro: Steven Kloves
Elenco:
Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Michael Gambon, Jim Broadbent, Tom Felton, Alan Rickman, Maggie Smith, Julie Waters, Helena Bonham Carter, Timothy Spall, Bonnie Wright, Evanna Lynch.
Crítico: Thiago Melo


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A série “Harry Potter” é considerada ao mesmo tempo a mais lucrativa e a mais consistente do panorama cinematográfico atual. Com uma produção sempre primorosa e atenta a detalhes, tornou-se comum ver sempre um produto bem acabado a cada versão lançada. E devo dizer que, a produção sempre esteve excelente e em todos os filmes foi essencial para dar vida à imaginação da autora J.K. Rowling (uma ampulheta personalizada, óculos que “enxergam” o invisível, objetos que retornam aos seus lugares uma vez ordenados, etc). São detalhes que juntos impressionam o espectador causando-lhes um atrativo encanto pelo mundo mágico.

Porém, a situação na Escola de Magia de Hogwarts passa longe de uma aventura fantasiosa. O clima preparado pelo filme anterior (Harry Potter e a Ordem da Fênix) é cada vez mais dark e mais gótico. A começar pela arrepiante cena inicial que faz um retorno ao final do filme anterior, mostrando como o mundo bruxo, e ainda o mundo trouxa, foi afetado pela volta do Lord das Trevas, Voldemort. É impressionante ver a relação entre esses dois mundo, a inlfuência que um exerce ao outro. David Yates já tinha arriscado esse artifício com sucesso no longa anterior, ao mostrar ainda no primeiro ato ataques de dementadores (criaturas que sugam a felicidade humana) a trouxas (não-bruxos).

Esse sexto capítulo, trata a partir do final deixado no longa anterior: a volta de Voldemort, muito mais poderoso. Se antes o rumor parecia dúvida, agora a certeza faz com que os pais bruxos tenham medo de mandar seus filhos de volta a Hogwarts (considerado até então um dos locais mais seguros do mundo mágico). Em meio a essa clima de tensão, Dumbledore e Harry embarcam em uma missão cuja finalidade é findar o poderío de Lord Voldemort. Uma missão não muito fácil, demonstrada perfeitamente por Michael Gambon na composição de seu Dumbledore, que esconde aquela expressão de calmaria de Richard Harris nos dois primeiros filmes e dá lugar à verdadeira preocupação que os tempo pedem: o destino de todo o mundo mágico pode depender desta missão. Porém a vida acadêmica de Harry continua, dessa vez embalada por um novo estímulo: um livro de poções velho que lhe torna o aluno mais aplicado da disciplina do professor que “coleciona” alunos, Slughorn, interpretado brilhantemente por Jim Broadbent.

O roteiro, aliás, passa por algumas modificações. Se em “Harry Potter e a Câmara Secreta” a transposição ao cinema foi quase literal, nesta última adaptação o roteirista Steven Kloves (que se ausentou em “Ordem da Fênix” por motivos de agenda) toma algumas liberdades necessárias que podem desapontar alguns fãs da série, foi comum ouvir na sessão em que eu estava “cadê aquela cena”, ou “isso não tinha no livro”. Apesar de algumas cenas excluídas serem, em minha opinião, extremamente necessária para o desenvolvimento de alguns personagens (e conclusão de outros), vale destacar que as cenas adicionadas entrarm em harmonia à història, e serviram ainda mais para dar consistância ao filme, uma ideia de continuidade entre uma cena e outra. Mas ainda assim, que acompanhou o livro, e fica na expectativa se decepciona ao ver que certas coisas foram deixadas de lado.

Aliás a volta de Kloves, foi essencial para a construção de alguns personagens secundários que haviam sido esquecidos nos dois últimos filmes, a começar por Draco Malfoy, que, se antes era apenas um menino mimado que vez ou outra brigava com Potter, dessa vez uma carga dramática lhe é jogas às costas e revelam um grande dilema em sua tarefa para Voldemort. Como uma espécie de contra-balança. Kloves dá espaço para que outros personagens exerçam o equilíbrio do humor. Assim, a aluada e simpática Luna Lovegood, serve como uma ferramenta cômica, bem como o apadago Neville Lognbottom e claro Rony Weasley, que de uma vez por todas se livra do carma de fazer riso por caretas e se aproxima do seu personagem nos livros com tiradas sarcásticas. Mas o destaque fica pelo protagonista que, com a confiança dada pela poção da sorte, o momento “Harry-tudo-posso” é uma das sequências mais hilárias de toda franquia.

Seria bastante incompreensível achar que Harry, e os demais estudantes, no auge da adolescência, devessem simplesmente esquecer os namoros e paqueras e se dedicarem apenas a salvar o mundo do poder das trevas. Os corredores de Hogwarts agora são ocupados por “vultos” em um amasso, beijos e demonstração de amor (e ciúmes) tornam-se comuns, em destaque para a “novata” Lilá Brown, uma garota que faz de tudo pra se aproximar de Rony. Então, é comum vermos poções do amor serem usadas em determinadas circunstâncias, olhares trocados com sorrisos tímidos e principalmente as decepções amorosas comuns nessa época, representada pelo amor de Hermione não correspondido (muito mais explícito no filme que nos demais livros), o que permite que sua relação de amizade com Harry torna-se muito mais verdadeira e necessária.

O príncipe do título, que deveria ser o grande mistério da vez, fica um pouco apagado por outros caminhos optados por Kloves. Aliás, até que se descubra o “enigma” do príncipe, pouca importância foi dada à sua existência, a não ser por uma cena, e mesmo assim mostra-se como o elemento de vazio em meio à cena seguinte. Os grandes feitos do príncipe mestiço, ou são deixados de lados, ou são reduzidos, como o feitiço sectusempra. Mas isso não é motivo para que outras cenas sejam esquecidas, muito pelo contrário, o clímax da história surpreende pelos efeitos especiais e pelo suspense que dão inveja a qualquer filme B de terror (chega a ser impactante a aparição dos Inferuis (cadáveres de humanos reanimados por um bruxo das trevas).

A evolução de Yates em relação ao filme anterior é notável e satisfatória. Muito mais confortável com a história, o diretor demonstra que o fato de continuar no cargo de direção até os últimos filmes, não é razão para comodismos e elementos novos sempre são bem vindos em uma séria já tão conhecida e adorada mundialmente. Dessa forma, “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” mostra-se, como todos andam falando, como o filme mais equilibrado da série. Apesar de algumas passagens que dariam uma grandiosidade épica ao filme terem sido cortadas, e essas cenas se mostrarem essenciais para os dois últimos filme, o longa demonstra mais uma vez que é capaz de surpreender e meio a tantas coisas recicláveis em Hollywood. Palmas para o bruxo inglês.

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FRASES MEMORáVEIS:
(Como sou fã, e gostei muito do filme, tive a liberdade de escolher mais do que um quote)

Professora McGonagall (para o trio): Por que sempre que acontece alguma coisa vocês três têm que estar envolvidos?
Rony Weasley: Acredite, professora, eu tenho me feito essa mesma pergunta por seis anos.

Alvo Dumbledore: “Você deve estar se perguntando por que eu o trouxe aqui.”
Harry Potter
: “Na verdade, professor, depois de todos esses anos, eu meio que estou acostumado.

Arthur Weasley: “Tempos como esse, tempos sombrios, eles fazem coisas engraçadas com as pessoas. Eles são capazes de nos separar.

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