Direção: Jimmy
Hayward e Steve Martino
Elenco: Jim
Carrey Steve Carell Carol
Burnett. No Brasil Tom Cavalcante e Marco Moreira
Crítico:
Thiago Melo
Lançado
há 50 anos, o livro ‘Horton e o Mundo dos Quem!’
de
Dr. Seuss ganha sua versão cinematográfica em
animação. Dos mesmos
produtores de ‘A Era do Gelo’, o longa recria com
fidelidade o universo
multicolorido do escritor, e ainda aproxima a trama
de temas modernos, recriando um universo confortável ao
espectador mirim e adulto.
A
trama é simples e apaixonante, Horton é um
elefante
carismático e amigos de todos que diz ter ouvido pessoinhas
vivendo num grão de
poeira. Disposto a salvar Quemlândia, o mundo
minúsculo escondido na partícula,
enfrenta a descrença dos amigos e a ira da canguru que
governa o bosque. É
através do lema “Uma
pessoa é uma pessoa, não importa o tamanho que
tenha” que Horton tenta defender
sua crença e cumprir sua missão de procurar um
local
seguro para o grão, a partir daí ele
lança
idéias a princípio absurdas, mas que no
decorrer da animação se tornam pelo menos
crível.
E se nós habitássemos um
espaço tão pequeno e houvesse alguém
lá em
cima que nem soubesse da nossa
existência?
É
possível perceber os dois lados, ativo e passivo, da trama,
visto que Horton,
até que se prove o contrário é
considerado um louco, assim como o Prefeito do Mundo
dos Quem por tentar
explicar os constantes terremotos e variações
climáticas abruptas, como simples tropeços de um
elefante gigante. Há uma
relação de causa e
conseqüência entre os dois personagens, o que um
passa, o
outro sofre os efeitos, garantindo boas cenas.
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Esse
ritmo ainda é bem administrado quando se mistura
animação 3D com a 2D, como a
animação em estilo japonês (com cena
à la
anime), que mostra a imaginação da
imaginação
numa espécie de animação da
animação. Outro detalhe interessante é
a forma de
como o Mundo dos Quem é retratado, não
há uma
tentativa de adptar “nosso mundo”
ao deles como já mostrado em outras
animações,
há características próprias que tornam
o
lugar desconhecido realmente num mundo à parte. O que cansa
nessas seqüências,
é a tentativa de garantir risadas, com “momentos
musicais”, tropeços e
situações
desnecessárias.
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Além
de deixar
clara a visão anti-preconceituosa, o filme tem momentos
bobos e
desnecessários,
sim, que, presumo eu, tenha sido feito comercialmente, mas
há
momentos para adultos, a exemplo da canguru que ao decorrer da trama
adota claras características fascistas tudo para manter o
título de rainha da selva
que ela mesma se intitulou, assim como o “conselho de
estado” do “Mundo dos Quem”
que chama de blasfêmia
toda a explicação do prefeito para os
acontecimentos recentes. É importante ver
que, por se tratar de um longa feito basicamente pra
crianças, o destino de
tais personagem é até perdoável, visto
que no fim ainda há uma esperança de que
todos voltem para o lado do bem, e de que essa seja ainda a melhor
saída, a
união de todos, independente de raça, credo ou
tamanho, nem que seja apenas
tentativa desesperada para ser ouvido.
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