|
Direção:
Michael
Mann
Roteiro:
Michael
Mann, Ronan Bennet e Ann Biderman
Elenco:
Johnny
Depp, Christian Bale, Marion Cotillard, David Wenham, Jason Clarke e
Christian Stolte.
Crítica
por:
Thiago Melo

   
Dezenas
de bandidos já
foram retratados sob uma perspectiva heróica nos cinemas. Talvez
pelo fascínio despertado, pela ousadia ou pela vida fora-da-lei,
muitos desses "bandidos-heróis" ganham torcedores e acabam sendo
admirados. Em "Inimigos
Públicos" Johnny Depp vive um desses
personagens, interpretando o lendário Johnny Dillinger, gângster
americano que viveu na década de 30 de assaltos a bancos, numa época
em que estes eram os maiores responsáveis pela crise ocasionada pela
crise de 1929.
O
longa não se preocupa em narrar a biografia de Dilliger, e sim de
mostrar fatos que sua vida que o tornaram lenda, usando como pano de
fundo seu amor pela bela Billie (Marion
Cotillard) e sua ousadia nos
assaltos (Dillinger recusava o dinheiro dos clientes, seu alvo eram
os bancos). Isso fez com que Dillinger se tornasse uma espécie de
celebridade na sociedade, afinal ele era responsável por vingar os
vilões da crise, mas o filme acerta em mostrar que Johnny pouco
ligava para o público, o agrdo vinha pela necessidade.
|

Michael
Mann (O Último dos Moicanos) experimenta diversos estilos
na
direção, uma hora alterna a câmera nervosa, como nos assaltos, e
outra a câmera fixa, nas cenas do cinema, essa narrativa entrelaçada
dá o tom necessário para cada cena do filme, que emabalado pela
magnífica trilha de Elliot
Goldenthal conduz bem o clima desejado
pelo diretor.
Johnny
Depp conduz o longa da maneira conhecida, eficiente, e
emprega
o charme
necessário e característico, para que seu personagem seja idolatrado
por tantos. Do
outro lado, Christian
Bale como o detetive Melvin Purvis, obviamente
menos heróico que na série "Batman" consegue impor bem sua
presença, mesmo quando contracena com Depp, que aliás é uma das
cenas marcantes do filme. Marion
Cotillard, a amada Billie de
Dillinger, impreciona pela química com Depp, mesmo não
sendo um
grande destaque em suas cenas, é possível perceber o quanto sua
personagem cresceu durante a projeção e que, apesar de rápido, o
amor que Billie sentia por Johnny Dillinger era verdadeiro.
|
O
roteiro passa por altos e baixos, mas no final acarreta um saldo
positivo, não fosse por algumas cenas que tornam o filme o pouco
longo demais do que o necessário, o tempo passaria desapercebido,
mas as cenas de assalto a bancos tornam-se um pouco repetitivas e os
tiros então, com cenas longas chegam a atrapalhar. Mas na completa
contramão, é na sutileza que o diretor Michael Mann
demonstra
maestria.
A
cena que precede o fim do filme é de uma carga metafórica incrível.
Dillinger se reconhece como "Blackie" Gallagher o
protagonista do filme "Vencidos
Pela Lei". Ao se ver projetado na
telona, Mann
usa da dupla metáfora: "E
se o próprio Dillinger
pudesse ver sua versão nos cinemas?". Certamente
aprovaria,
afinal, no fim das contas, agente sempre torce para que ele se dê
bem. Tudo o que ele sempre quis.
Frase
Marcante:
Melvin
Purvis: O que lhe tira o sono Sr. Dillinger?
Johnny
Dillinger: Café.
|