Inimigos Públicos (Public Enemies) - 2009

Direção: Michael Mann
Roteiro: Michael Mann, Ronan Bennet e Ann Biderman
Elenco: Johnny Depp, Christian Bale, Marion Cotillard, David Wenham, Jason Clarke e Christian Stolte.

Crí­tica por: Thiago Melo


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Dezenas de bandidos já foram retratados sob uma perspectiva heróica nos cinemas. Talvez pelo fascí­nio despertado, pela ousadia ou pela vida fora-da-lei, muitos desses "bandidos-heróis" ganham torcedores e acabam sendo admirados. Em "Inimigos Públicos" Johnny Depp vive um desses personagens, interpretando o lendário Johnny Dillinger, gângster americano que viveu na década de 30 de assaltos a bancos, numa época em que estes eram os maiores responsáveis pela crise ocasionada pela crise de 1929.

O longa não se preocupa em narrar a biografia de Dilliger, e sim de mostrar fatos que sua vida que o tornaram lenda, usando como pano de fundo seu amor pela bela Billie (Marion Cotillard) e sua ousadia nos assaltos (Dillinger recusava o dinheiro dos clientes, seu alvo eram os bancos). Isso fez com que Dillinger se tornasse uma espécie de celebridade na sociedade, afinal ele era responsável por vingar os vilões da crise, mas o filme acerta em mostrar que Johnny pouco ligava para o público, o agrdo vinha pela necessidade.

Michael Mann (O Último dos Moicanos) experimenta diversos estilos na direção, uma hora alterna a câmera nervosa, como nos assaltos, e outra a câmera fixa, nas cenas do cinema, essa narrativa entrelaçada dá o tom necessário para cada cena do filme, que emabalado pela magní­fica trilha de Elliot Goldenthal conduz bem o clima desejado pelo diretor.

Johnny Depp conduz o longa da maneira conhecida, eficiente, e emprega o charme necessário e caracterí­stico, para que seu personagem seja idolatrado por tantos. Do outro lado, Christian Bale como o detetive Melvin Purvis, obviamente menos heróico que na série "Batman" consegue impor bem sua presença, mesmo quando contracena com Depp, que aliás é uma das cenas marcantes do filme. Marion Cotillard, a amada Billie de Dillinger, impreciona pela química com Depp, mesmo não sendo um grande destaque em suas cenas, é possí­vel perceber o quanto sua personagem cresceu durante a projeção e que, apesar de rápido, o amor que Billie sentia por Johnny Dillinger era verdadeiro.

O roteiro passa por altos e baixos, mas no final acarreta um saldo positivo, não fosse por algumas cenas que tornam o filme o pouco longo demais do que o necessário, o tempo passaria desapercebido, mas as cenas de assalto a bancos tornam-se um pouco repetitivas e os tiros então, com cenas longas chegam a atrapalhar. Mas na completa contramão, é na sutileza que o diretor Michael Mann demonstra maestria.

A cena que precede o fim do filme é de uma carga metafórica incrí­vel. Dillinger se reconhece como "Blackie" Gallagher o protagonista do filme "Vencidos Pela Lei". Ao se ver projetado na telona, Mann usa da dupla metáfora: "E se o próprio Dillinger pudesse ver sua versão nos cinemas?". Certamente aprovaria, afinal, no fim das contas, agente sempre torce para que ele se dê bem. Tudo o que ele sempre quis.


Frase Marcante:

Melvin Purvis: O que lhe tira o sono Sr. Dillinger?
Johnny Dillinger: Café.

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